Estava tudo tranquilo. Dia 25 ou 26 tive uma pequena perda de sangue - coisa normal porque faltavam, supostamente, 1 ou 2 dias para me vir o período. Nos dias seguintes seguiram-se as moínhas na barriga, os intestinos às voltas, a tensão mamária - os meus sintomas habituais de TPM. Mas os dias foram passando. E nada. Nem vestígios. Desvalorizei. Mesmo a tomar a pílula, quando estou sobre stress -
e, por um motivo em particular, o último mês e meio foi um quase pesadelo -, não tenho ciclos certinhos. No mês passado tinham sido 5 dias de espera angustiante até o dito cujo dar um ar da sua graça. Este mês foi ao quarto dia que decidi fazer um teste daqueles - dia 2/12. E não esperava ver as duas risquinhas, só e apenas uma. Fiz o que tinha a fazer e saí da wc para ir à cozinha fazer não sei o quê que demorou 3 ou 4 minutos. E depois voltei e os meus olhos bateram nas duas linhas. Cor-de-rosa. Duas linhas. Desabei. O que devia ter sido um motivo de alegria, para mim, naquele momento, foi um desespero. Chorei, chorei muito - e foi assim que o George me encontrou, a chorar desalmadamente
e a balbuciar os maiores disparates que possam imaginar. Não estava preparada - e ainda não estou. Não estava planeada nenhuma gravidez para já - falávamos nisso de vez em quando, mas para daqui a um ano ou dois. Porque estou cansada, esgotada mesmo. Física e emocionalmente. Porque ter dois filhos quase de empreitada e ter passado pelo(s) maior(es) medo(s) da minha vida das duas vezes em que a Rita esteve internada deram cabo da minha resistência -
achava eu. Não me sentia - e não me sinto - preparada para ser mãe outra vez. E, ainda hoje, não consigo acreditar.
Já revi todos os dias do ciclo, um a um, a tentar perceber o que aconteceu. E dói-me. Dói-me não conseguir sentir uma alegria genuína por mais esta bênção. Acho que ainda não me "caiu a ficha". Onde devia ver alegria, só encontro percalços e problemas. Felizmente, o George ultrapassou o factor surpresa rapidamente. Está feliz. Está toda a gente feliz. Menos eu. Eu nem sei bem o que estou. Ainda ontem à tarde descompensei, porque não sou de ferro, não sou perfeita. A única coisa que me ocorria era "eu não vou ser capaz, eu não posso e não quero ter outro filho agora". E depois soube de uma mãe que perdeu a sua bebé, o seu coração, a sua vida. E senti-me uma perfeita idiota. Como é que eu posso não celebrar esta vida? E sim, podia dar a notícia de forma cor-de-rosa, mas este é também o meu diário. Espero que um dia este filho não sinta que não foi desejado, apenas não foi planeado - como o pai passa vida a repetir-me. Só isso. Porque acredito piamente que tudo se vai compôr dentro de mim, basta dar tempo ao tempo.