Ora, depois de umas quantas noites a dormir pouco ou nada, com as hormonas a brincarem com o meu humor, que passa da felicidade sem limites às lágrimas sem razão de ser, passando pelas dores nos ossos, azia e agora os pesadelos recorrentes... tinha que rebentar por algum lado...
Hoje tinha consulta marcada no Cento de Saúde para ir pedir à minha médica de família as credenciais para fazer as análises do segundo trimestre. Quando lá cheguei comecei a sentir-me um pouco estranha, coração a 300 à hora e afrontamentos. Não liguei e fui-me sentar à espera da minha vez. A situação continuou a piorar... escorria suor por todos os poros, despi toda a roupa que podia (logo que, que sou uma friorenta de primeira...) parecia que tinha estado a correr a maratona... comecei a ficar tonta, a ter vómitos e a ouvir as vozes das pessoas cada vez mais longe. Só tive reacção para tocar no braço de uma senhora que lá estava e dizer-lhe que me estava a sentir mal e se podia bater à porta do consultório... A senhora assim fez e a minha médica mandou-me logo entrar. Tensão, teste de glicémia, ouvir o meu coração e também o do bebé... fez-me tudo e mais alguma coisa... e nada. Foi mesmo mais uma das minhas crises de ansiedade (que já não tinha há alguns meses...). Eu disse-lhe logo que não devia ser nada com o bebé porque ele estava a manifestar-se com os habituais "miminhos intra-uterinos".
A verdade é que não me sinto muito confortável em sítios apertados, fechados e muito menos com muita gente à minha volta... A "sala de espera" para o consultório é um corredor estreito e escuro, sem janelas e com duas cadeiras... Desconfiei logo o que seria... mas não valeu o susto que apanhei. Felizmente a minha médica de família já conhece bem o meu historial e acudiu-me logo de uma forma muito carinhosa... Mandou-me para casa descansar, mas fez-me prometer que lhe ligava logo a seguir ao almoço para lhe dizer como me estava a sentir. Fez-me telefonar ao meu marido para me ir buscar e fazer companhia e para lhe repetir as recomendações que me tinha feito. Ainda me conseguiu passar as análises, que me recomendou fazer já amanhã. Lá vamos nós passear para Torres Vedras porque em Peniche não se fazem colheitas ao Sábado.
Lá voltei para casa, o G. fez-me um cházinho porque o pequeno-almoço entretanto tinha ido fazer companhia ao fundo da sanita... Deitei-me e dormi um bocadinho, comi uma sopa e agora já me sinto um pouco melhor. Detesto quando isto me acontece... é horrível sentir-me a perder o controlo sobre mim mesma. O pior é saber o que é e não conseguir evitar que estas crises aconteçam...