sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O melhor presente?

Depois de andar quatro anos com diagnósticos errados e/ou inconclusivos, depois de um diagnóstico maligno em Julho deste ano, de uma cirurgia para retirar a tiróide e o respectivo inquilino em Setembro, depois de saber que o sacana tinha metastisado para os gânglios do pescoço e de um tratamento com uma dose razoável de iodo radioactivo feito esta segunda-feira, que me podia fazer passar o Natal sem os meus filhos e sem a minha família, quarta-feira foi o dia das boas notícias.

O nível de radiação obrigou-me a mais 7 dias de isolamento além do internamento e, assim sendo, dia 24 já poderei ir para casa. Além disso, a cintilografia não mostrou mais metásteses (ossos e pulmões limpinhos limpinhos), sendo que o iodo se concentrou apenas onde era esperado, na zona onde residia a tiróide.

Agora é respirar fundo, ajustar a medicação para a tiróide e respeitar religiosamente as consultas de seguimento no IPO de Lisboa, onde tenho sido tratada com o maior respeito, carinho e profissionalismo. Em Março lá estarei.

Um grande bem haja ao meu endocrinologista que me proporcionou paz de espírito e me ajudou a definir o futuro terapêutico, ao Hospital Egas Moniz, principalmente ao Dr. T. que me operou eximiamente e por ser o médico que é. Obrigada a todas as pessoas que, de uma forma ou de outra, nunca deixaram de estar presentes.

E agora siga, que vou ter uma bela semana de férias... ;)

sábado, 13 de dezembro de 2014

Da reciprocidade da vida e do que nos ensina.

Hoje ganhámos o cabaz de Natal que foi sorteado na festa de Natal do JI da Rita. Comprei uma rifa no nome de cada um deles e a sorte grande coube ao João. Quando chegámos a casa, abrimos o cabaz e começámos a retirar os produtos. Quando apareceu um frasco de feijão frade o João desdenhou com os típicos comentários dos miúdos perante os alimentos de que não gostam. Eu olhei para ele, séria, e perguntei-lhe se ele sabe quantas pessoas não têm o que comer e que davam tudo para poder comer aquela lata de feijão. Ele olhou para mim e disse: "então e só nós dessemos algumas coisas destas a algum menino que precise?". Caiu-me tudo. E pu-los, a ele e à Rita, a escolher o que queriam partilhar com outra família, convencida de que iriam optar pelas coisas que não gostam. E qual não foi o meu espanto quando tal não aconteceu. Muito pelo contrário. Eu ando de lágrima fácil, mas caraças... estou orgulhosa dos meus filhos e, consequentemente, orgulhosa por sentir que estamos a fazer um bom papel como pais. E comecei a chorar de alegria, agradecendo-lhes por terem tido aquele gesto. E o João não vai de modos e, do alto dos seus seis anos (seis anos!) diz-me: "mãe, eu também te agradeço porque se não me tivesses dito aquilo eu não tinha tido esta ideia."
E é isto. Na terça-feira vamos entregar o saco que eles fizeram no JI para que eles possam distribuir os bens da forma que lhes parecer mais justa por alguém que precise mais do que nós.
E é isto o Natal, minha gente. E é isto a vida. E é isto o amor e a reciprocidade que dele vem.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pára tudo

O dia em que a professora de natação do João falou connosco para perguntar se estamos interessados em que ele comece a treinar para natação de competição. Foi hoje. Estou tão babada... mas tão babada!

Pequenos senãos: treinos três vezes por semana - ele este ano está a ir só uma vez por ter iniciado o ensino primário e porque também tem ginástica - e dois dos treinos coincidem com as aulas de ginástica (trampolins).

Já decidimos que este ano não vamos avançar na loucura, mas é uma hipótese a ponderar no próximo ano lectivo. E terá que ser ele também a decidir se quer, uma vez que implica sair da ginástica - que ele adora. De qualquer das maneiras, a professora vai começar a diferenciar os exercícios dele na piscina para o caso de decidirmos aceitar o convite no próximo ano lectivo.

Cistografia renal e consuta

No início de Novembro o Pedro fez uma cistografia renal para avaliar o refluxo vesico-uretal e ontem tivemos a consulta no hospital onde ficámos a saber o resultado, que foi o melhor possível. Já não há evidência de refluxo e a bexiga fica totalmente vazia quando faz xixi. Teve alta e já tem ordens para parar o antibiótico que tomou todos os dias durante dezassete meses. Fiquei tão feliz e aliviada que me deu para chorar... E disse-me a médica: "chore à vontade, tomara eu que todas as lágrimas fossem todas por motivos destes".  

sábado, 29 de novembro de 2014

Do João

Com a chegada do frio, começou a tosse de cão. Como a pediatra esteve de férias, e depois de uma consulta da tia, que confirmou a tosse de origem alérgica, comecei a dar-lhe a mesma medicação que ele já tinha feito no Outono do ano passado. Apesar de ter melhorado, estava longe de estar bem. As noites estavam a ser um verdadeiro suplício com tanta tosse. Entretanto, com a nossa pediatra de volta, levei-o a uma consulta com ela. Fiz bem em dar-lhe a medicação (Azomyr e Pulmicort nasal), mas como ele está mesmo no limiar de uma bronquite, acrescentou o Singulair durante 28 dias e vamos ver se ficamos por aqui.

Escusava de ter saído à mãezinha dele na história das bronquites alérgicas, mas adiante. Já lhe tinha suspendido a ginástica e tenho pedido na escola que não o deixem jogar à bola nem andar lá a correr feito doido - o que o faz piorar brutalmente. Também já o avisei para ter cuidado e para se resguardar se quiser ficar melhor depressa.

A parte boa é que aumentou 2 kg e cresceu 4 cm em seis meses! Não admira que a roupa tenha toda deixado de lhe servir de um dia para o outro. Está agora com 25 kg e mede 1,23 m. 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Mais do mesmo

Isto já se começa a parecer com um muro das lamentações ou o diário de uma mãe com cancro, mas olha... não me tem dado para muito mais. Ando muito esquisita e não me sinto eu. A medicação que estou a fazer de preparação para o tratamento está a abalar-me muito.

Estar longe dos meus pais e irmãos e dos meus amigos também não ajuda nada. Sinto-me sozinha e custa-me ter que estar sempre dependente da boa vontade da minha sogra e da única amiga que tenho aqui. E depois ponho-me a pensar... estou a viver aqui há 11 anos e só tenho uma Amiga, que me tem valido por mil, mas a quem ando, julgo eu, a sobrecarregar. E tenho a minha sogra que tem sido incansável, que está sempre disponível para me ajudar, que vem buscar o Pedro para eu poder ficar mais sossegada, que me fica com os três para eu poder descansar. Mas que tem setenta anos e também me custa estar sempre a pedir-lhe ajuda. Embora ultimamente nem seja preciso pedir nada que ela parece que adivinha e está sempre a disponibilizar-se para tudo.

E é isto. Faltam menos de três semanas para ser internada e a ansiedade vai crescendo. E sei que ainda falta a parte mais difícil da preparação que são as duas semanas em que vou parar totalmente com toda a medicação para a tiróide e, aí sim, vai ser a doer.
Cada vez que um ano se aproxima do fim, começo a pensar no que me trará o próximo. Caramba, tirando os meus filhos que são a maior alegria que tenho na vida, estes últimos anos têm sido uma bela merda. Já acabávamos com este ciclo, não...?

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Tratamento marcado

Na quarta-feira passada tive nova consulta no IPO. Já com o resultado da ecografia e das análises - muito boas, dentro dos possíveis - foi altura de agendar o tratamento com iodo radioactivo. Vou ser internada dia 15 de Dezembro e terei alta a 17, altura em que me dirão quantos dias terei que ficar em isolamento, que pode ir de uma a três semanas. Isso mesmo. Provavelmente passarei o Natal deste ano sozinha, mas já ia preparada para esta data. O mais importante é estar cá nos próximos cinquenta natais. Vou, pelo menos, poder assistir à festa de Natal do JI da Rita e devemos fazer o nosso Natal nesse dia.

Antes do iodo tenho que fazer uma medicação dada pelo IPO durante quarenta dias - que já estou a fazer - e duas semanas antes tenho que fazer uma dieta e ter alguns cuidados e restrições para limitar ao máximo a ingestão ou absorção de iodo - nada de produtos vindos do mar, peixe, enlatados, processados, corantes, pintar cabelos, unhas, lábios, nada de cremes BB, nada que tenha pigmentação, portanto. Posso consumir sal muito moderadamente, mas do "rasco". Nada de flor de sal. Não posso comer chocolates de leite, mas posso comer com 70% de cacau ou de culinária - e já vou com sorte. Posso comer tudo o que vem da terra, o mais natural possível - posso, por exemplo, comer tomate desde que não seja enlatado.

Depois do tratamento posso voltar a ter a minha alimentação normal e volto à medicação antiga, mas com uma dosagem inferior que a que estava a tomar era demasiado alta - passo do Eutirox 150 para o 125. Vou directa do IPO para uma casa aqui perto onde estarei sozinha. Eles são mesmo muito rigorosos com o contacto com crianças e bebés e com razão. E é isto. Estou em contagem decrescente...