Mais tarde ou mais cedo este post tinha que chegar.
Confesso que tenho adiado escrevê-lo na tentativa de me esquecer das coisas menos boas da amamentação. Mas para quê?! Afinal fazem parte...
O João nasceu às 17h55 e eram cerca das 19h30 quando uma estagiária de enfermagem o colocou na minha maminha. Ele pegou quase imediatamente no peito e bebeu um pouco, mas adormecia constantemente, tendo que ser estimulado (mexendo-lhe, por exemplo, nos pés e retirando alguma roupa). Chorei de felicidade porque sempre desejei amamentar o meu filho. Não imaginava que em breve as lágrimas seriam por outros motivos...
As instruções eram para não o deixar mais de 3 horas sem mamar. Assim fiz... O relógio pendurado na parede mesmo à frente da minha cama passou a ser uma obcessão. Não conseguia dormir, em parte, com medo de que passassem as tais 3 horas sem eu dar conta.
Na manhã seguinte já não estava lá a estagiária (que foi sempre muito meiga e transmitiu-me muita tranquilidade), mas estava o enfermeiro que me ia fazer chorar... e muito! Nem os meus cães são tratados assim no veterinário... mas enfim... Entrou no quarto e quis saber como estavam a correr as coisas. "Bem...", foi a minha resposta. "Então ponha-o lá a mamar para eu ver", respondeu ele. Assim fiz... Desta vez o João teve algumas dificuldades em pegar na mama, mas eu sabia que se lhe desse tempo ele acabaria por conseguir, tal como tinha acontecido durante a noite. Mas não tivémos direito ao NOSSO tempo... O enfermeiro virou-se e disse, rispidamente: "Os seus mamilos não prestam. Fico muito preocupado com este bebé. Peça mas é a alguém que lhe traga bicos de silicone, que se vendem nas farmácias." Eu disse-lhe que não era necessário porque ele tinha mamado bem durante a noite, só era necessário que o João (e eu) nos acalmássemos e as coisas correriam bem. Olhou para mim de lado e saiu da enfermaria para logo voltar com uma seringa na mão. Sem me dar satisfações de nada e sem me explicar ou sequer pedir autorização, agarrou-me na mama e com a seringa (sem agulha, claro...) puxou o mamilo para fora (a ponta da seringa estava cortada e o objectivo era fazer vácuo). As dores que senti foram horrendas e desde então este mamilo nunca mais deixou de me doer. Ainda hoje... É o João a mamar e eu a chorar... O João nunca pegou na mama enquanto ele esteve connosco... Chorei que me fartei e assim que o enfermeiro virou costas, ofereci o outro peito ao João.
Depois disto... fiquei tão preocupada e angustiada que o João passava quase 24h por dia agarrado à mama... fosse a mamar ou a chuchar... não me interessava. Fiquei com os mamilos feitos em m***a (desculpem a expressão)... mas não desisti. Nos momentos em que ficava só com o João e com o meu marido chorava... chorava... e chorava... Só queria vir para casa...
Felizmente a enfermeira do turno seguinte foi bem mais humana. Quando me apercebi da troca dos turnos chamei a enfermeira e perguntei-lhe o que havia de errado com os meus mamilos...
NADA! Ela, com muita calma e paciência, ajudou-me e explicou-me algumas estratégias para ajudar o João a fazer uma pega correcta. As coisas melhoraram bastante, mas as dores já cá estavam. Ela percebeu que as coisas não tinham corrido bem no turno anterior e a verdade é que o dito enfermeiro não voltou a pôr os pés na enfermaria em que eu estava (e não foi só comigo que ele andou a implicar, tendo sido rude e mal-educado também com uma outra mamã que estava ao meu lado...).
Entretanto viemos para casa e foi altura de tentar tratar dos mamilos gretados, dos caroços no peito, das dores... O peito esquerdo melhorou e ainda hoje está óptimo. Agora o direito... uns dias melhor outros pior... e lá tive que pedir ao George para me comprar os ditos bicos de silicone, porque não queria parar de amamentar, mas fazê-lo a chorar e a contorcer-me com dores também não estava a ser bom nem para mim nem para o João. Acabou por resultar e aliviou bastante. Assim que percebi que era capaz de aguentar o desconforto deixei de os usar. Mas a verdade é que este mamilo nunca mais ficou a 100 %. Agora, na mamada da manhã, tenho retirado o leite deste peito com a bomba manual (que não me magoa) e dou o meu leite em biberon ao João. Tenho feito isso para aliviar um pouco a mama... mas quando lha dou, às vezes ainda tenho dores até às lágrimas.
E agora a telenovela do peso... A primeira ida ao Centro de Saúde correu menos mal. O João tinha aumentado 140 gramas. Um valor aceitável, nas palavras da enfermeira. Na opinião da pediatra o João estava muito bem e já tinha recuperado e ultrapassado o peso com que nasceu (o João estava nesta altura com 3 semanas). A decisão foi continuar com a amamentação exclusiva. Não imaginam a minha felicidade! Mas imaginam a minha cara quando na semana seguinte a enfermeira me disse que o João estava muito magrinho e que os 160 gramas que tinha engordado não eram suficientes. Chorei... chorei... e chorei... Telefonei à pediatra que me disse que a enfermeira não devia estar boa da cabeça e que o meu leite, pelo menos até ver, era suficiente. Na semana seguinte lá fomos nós ao peso... felizmente estava lá outra enfermeira que ao ver a minha cara de preocupação com o aumento dessa semana (110 gramas) me disse para não me preocupar... que estava tudo bem e para continuar a dar só maminha... Assim fiz... E na semana seguinte a balança acusou um aumento de 260 gramas! Fiquei tão feliz... Mas a verdade é que eu sei que o peso do João não é nada por aí além e ele tem estado a aumentar sempre no limite mínimo do aceitável... Mas continua só com a mama, pelo menos até à consulta dos dois meses.
Não tem sido fácil. Tem sido uma angústia muito grande. Tão grande que temos uma lata de suplemento, ainda fechada, mas a postos para alguma eventualidade. Não queremos que o nosso filho passe fome. A amamentação é muito importante... concordo! O leite materno é o melhor para o bebé... também concordo! Mas a que preço?! Eu sou a favor da amamentação, mas tenho sofrido muito com esta decisão. As dúvidas e as incertezas são mais que muitas... mas insisti e não penso em desistir. Mas não pensem que não olhei já mais do que uma vez para a convidativa lata de suplemento ali em cima da estante. E não pensem que vou hesitar em recorrer a ela no dia em que SENTIR que o meu leite, afinal, pode não ser suficiente. E, apesar de tudo, já me considero uma vencedora...